'Fabricar' apoio por meio de grupos de fachada

De Observatório sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco no Brasil
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Crédito: WHO/World No Tobacco Day©, 2012




Devido a seu desprestígio social, a indústria fumageira vem precisando, em todo o mundo, de apoio para atuar. Assim, ela cria e usa movimentos sociais 'falsos' que apoiam seus interesses. Tipicamente, o foco destes grupos tem sido o de defesa da "liberdade individual", no suposto dano econômico causado por políticas de controle do tabagismo ou na "falaciosa" polêmica sobre o fumo passivo[1].



Com a divulgação de pesquisas e estudos sobre os malefícios causados pelos produtos derivados do tabaco, a indústria fumageira vem perdendo seu espaço junto aos consumidores mas, para que esta perda não comprometa ainda mais seus lucros, a indústria do tabaco tem criado empresas de fachada, que simulam este apoio. Estes grupos podem ser organizações que parecem servir aos interesses públicos mas, na verdade, servem aos interesses de um terceiro, às vezes, obscurecendo ou ocultando a relação entre eles. Em exemplo, pode-se citar a contratação de cientistas ou empresas especializadas em consultoria de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), com o intuito de prejudicar as pesquisas cientificas que comprovam a nocividade do fumo e ainda apresentar uma imagem de responsabilidade da indústria com relação à sociedade, ao invés da mesma assumir que o consumo do cigarro esta associado a inúmeras doenças.[2]

A indústria fumageira também usa falsos grupos 'populares' para dar uma impressão que tem apoio social, como por exemplo, grupos de 'direitos dos fumantes', grupos de 'direitos dos cidadãos' e grupos empresariais ligados ao entretenimento. Os grupos de 'direitos dos fumantes' são criados e promovidos nos bastidores, para preservar a aceitabilidade social do fumo e defender a permissão do fumo em lugares públicos. A Philip Morris, por exemplo, já propôs adotar uma variedade de identidades:

"Às vezes teremos de falar como cientistas independentes, grupos científicos e empresários; outras vezes falaremos como a indústria; e, finalmente, falaremos como o fumante". [3]
.

Visto que as políticas antifumo são apoiadas pelo público em geral, os grupos de 'direitos dos fumantes' tentam manter uma 'controvérsia' sobre a fumaça de fumantes no espaço social e focam o debate no fumante, em vez de focá-lo na indústria fumageira ou nos efeitos nocivos do fumo em si. Os grupos de 'direitos dos fumantes' opõem-se a leis e políticas de ambientes fechados livres de fumo, e também se pronunciam acerca de outros temas, como os impostos sobre o tabaco e as proibições de propaganda [4].

Os grupos de fachada empresariais costumam argumentar que as políticas de controle do tabaco causam danos econômicos aos negócios que alegam representar. A indústria fumageira é conhecida por financiar associações de produtores de tabaco, criar e/ou financiar organizações de restaurantes e bares para se opor a medidas de proibição do fumo no setor de hospitalidade. Seu papel é insistir a tese de que a proibição ao fumo prejudicaria seus negócios e criaria uma mentalidade agressiva entre os que trabalham em restaurantes e bares contra as políticas governamentais antifumo. A indústria fumageira também criou grupos de fachada para se opor à regulamentação ao consumidor, retratando-a como um ataque à liberdade individual. Ela descreve esses esforços de regulamentação como parte da 'cultura autoritária' liderada por uma 'crescente fraternidade' de 'policiais' de alimentos e antitabagistas, 'executores de assistência médica', 'ativistas vegetarianos' e 'burocratas intrometidos' que 'sabem o que é melhor para você' [5].


A este respeito, ver também:


Notas e Referências

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. World no tobacco day 2012: tobacco industry interference. [s.l.], 2012. Disponível em: http://www.who.int/tobacco/wntd/2012/industry_interference.pdf. Acesso em: 26 jan. 2017. Documento integral: PDF
  2. RESPONSABILIDADE social empresarial: a nova face da indústria do tabaco. ACT, 2005. Disponível em: http://actbr.org.br/uploads/conteudo/50_662_PUBLICACAO_RSE.pdf. Acesso em: 20 out. 2014. Documento integral: PDF.
  3. NEWSFLOW strategic overview. Philip Morris, Estados Unidos, jan. 1989. Disponível em: http://legacy.library.ucsf.edu/tid/jok46e00/pdf. Acesso em: 18 nov. 2014. Documento integral: PDF.
  4. SMITH, Elizabeth; MALONE, Ruth. ‘We will speak as the smoker’: the tobacco industry's smokers' rights groups. Oxford University Press, Estados Unidos, 25 out. 2006. Disponível em: http://eurpub.oxfordjournals.org/content/17/3/306.full#ref-1. Acesso em:18 nov. 2014. Documento integral: PDF.
  5. DAUBE, Mike; STAFFORD, John; BOND, Gareth. No need for nanny. Tobacco Control, v. 17, p. 426-7, 2008. Disponível em: http://tobaccocontrol.bmj.com/content/17/6/426.full.pdf+html. Acesso em: 19 nov. 2014. Documento integral: PDF.



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